O teorema de Green estabelece uma relação entre uma integral de linha sobre uma curva fechada simples \( C \) e uma integral dupla na região \( D \) delimitada por \( C \).
Na aplicação do teorema, a orientação considerada é a orientação positiva, o que significa que a região fica à esquerda ao percorrermos a curva. No exemplo em que a curva \(C\) é uma cirgunferência, percorremos a curva \( C \) no sentido anti-horário!
Teorema de Green
Teorema de Green:
Seja \( C \) uma curva plana simples, fechada, contínua por partes, orientada positivamente e seja \( D \) a região delimitada por \( C\). Se \( P \) e \( Q \)têm derivadas parciais de primeira ordem contínuas sobre uma região aberta que contém \( D \), então
\[
\int_C P \, dx + Q \, dy = \iint_D \frac{\partial Q}{\partial x} – \frac{\partial P}{\partial y} dA.
\]
Notações Alternativas
As notações
\[
\oint_C P \, dx + Q \, dy \quad \text{e} \quad \int_C P \, dx + Q \, dy,
\]
são também usadas para enfatizar que a integral é calculada sobre uma curva fechada \(C \) usando a orientação positiva.
A fronteira da região \( D \) também pode ser denotada por \( \partial D \). Usando essa notação, o teorema de Green é enunciado como:
\[
\iint_D \frac{\partial Q}{\partial x} – \frac{\partial P}{\partial y} dA = \int_{\partial D} P \, dx + Q \, dy.
\]
Ideia da Demonstração
Mostraremos que
\[
\int_C P \, dx = -\iint_D \frac{\partial P}{\partial y} dA.
\]
Vamos supor que a região \( D \) pode ser escrita como
$$D = \{ ( x, y ) \in R^2 : a \leq x \leq b, \, g_1(x) \leq y \leq g_2(x)\},$$
onde \( g_1 \) e \( g_2 \) são funções contínuas.
Por um lado, pelo teorema fundamental do cálculo, temos
$$
\iint_D \frac{\partial P}{\partial y} dA = \int_a^b \int_{g_1(x)}^{g_2(x)} \frac{\partial P}{\partial y} dy \, dx = \int_a^b [P(x, g_2(x)) – P(x, g_1(x))] dx.
$$
Por outro lado, podemos escrever a fronteira \( C \) de \( D \) como a união dos caminhos \( C_1, C_2, C_3 \) e\( C_4 \).
Consequentemente,
$$\int_C P \, dx = \int_{C_1} P \, dx + \int_{C_2} P \, dx + \int_{C_3} P \, dx + \int_{C_4} P \, dx.$$
É claro que podemos repetir o procedimento para \(Q\) no lugar de \(P\).
Finalmente, combinando os resultados, obtemos
$$\int_C P \, dx + Q \, dy = \iint_D \frac{\partial Q}{\partial x} – \frac{\partial P}{\partial y} dA.$$
Região Simples
Na demonstração do teorema de Green, assumimos que a região D pode ser escrita tanto como
$$D = \{ (x, y) \in R^2 : a \leq x \leq b, \, g_1(x) \leq y \leq g_2(x) \} $$
quanto
$$D = \{ (x, y) \in R^2 : c \leq y \leq d, \, h_1(y) \leq x \leq h_2(y) \},$$
onde \( g_1, g_2, h_1 \) e \( h_2 \) são funções contínuas. Chamamos tais regiões de regiões simples.
O teorema de Green pode ser estendido para o caso em que \( D \) é a união finita de regiões simples.
Referência:
MARSDEN, Jerrold E.; TROMBA, Anthony. Vector Calculus. 6th ed. New York: W. H. Freeman, 2011.
Veja exemplos de aplicação do teorema de Green aqui. Teorema de Green – Exemplos
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